Capitalismo
Monopolista, Imperialismo e Neocolonialismo
1.1. De
1760 a 1830, a Revolução Industrial esteve limitada à Inglaterra, mas a
produção de equipamentos industriais, levou a expansão do capitalismo. Logo o
mercado interno se tornou restrito para a produção industrial, não sendo
possível conter os interesses dos fabricantes. Além disso, as nações passaram a
identificar o poderio de um país com seu desenvolvimento industrial. E o
processo se difundiu pela Europa, Ásia e América.
1.2. A
tecnologia industrial avançou, a população cresceu, os movimentos imigratórios
se intensificaram. No fim do século XIX, sobreveio a primeira Grande Depressão
(1873 - 1896), que fortaleceu as grandes empresas através da centralização e
concentração do capital. Iniciou-se aí nova fase do capitalismo, a fase
monopolista ou financeira, que se desdobrou na exportação de capitais e no
processo de colonização da África e da Ásia.
2. A
Segunda fase da Revolução Industrial.
2.1. A
expansão do Capitalismo Financeiro e Industrial - Em ritmo vertiginoso, como na
Alemanha, ou retardado por razões políticas, como na França, o impacto da
Revolução Industrial atingiu várias partes do mundo. Partindo da Inglaterra a
industrialização estendeu-se pela Europa (estabelecendo-se na Bélgica, Holanda,
França, Alemanha, Itália, Império Áustro-Húngaro, Suécia e Rússia), em seguida
atingiu os Estados Unidos da América e o Japão (na Ásia).
2.2 . As
mudanças na estrutura da produção industrial foram tão aceleradas a partir de
1870, que se pode falar de uma Segunda Revolução Industrial. E a época em que
se usam novas formas de energia: eletricidade, petróleo; de grandes inventos:
motor a explosão, telégrafo, corantes sintéticos; e de intensa concentração
industrial. A grande diferença em relação à primeira fase da Revolução
Industrial era o estreito relacionamento entre ciência e técnica, entre
laboratório e fábrica. A aplicação da ciência se impunha pela necessidade de
reduzir custos, com vistas à produção em massa. O capitalismo de concorrência
foi o grande propulsor dos avanços técnicos.
2.3. a
concentração de Capital. - A nova fase do capitalismo culminou com a crescente
concentração de capital, que levou a formação de mega empresas capitalistas. A
crescente concentração de capital eliminou as empresas mais fracas. As fortes
tiveram de racionalizar a produção: o capitalismo entrou em nova fase, a fase
monopolista. Sua característica é o imperialismo, cujo desdobramento mais
visível foi a expansão colonialista do século XIX, O imperialismo, por sua vez,
caracteriza-se por:
I - forte
concentração dos capitais, criando os monopólios;
II -
fusão do capital bancário com o capital industrial;
III -
exportação de capitais, que supera a exportação de mercadorias;
IV -
surgimento de monopólios internacionais que partilham o mundo entre si.
V –
Dominação de áreas coloniais a fim de obter matérias-primas e mão de obra
barata, além de mercados consumidores de produtos industriais fabricados pelas
grandes empresas monopolistas.
3. O
Neocolonialismo Imperialista.
3.1. O
Neocolonialismo foi a principal expressão do imperialismo, forma assumida pelo
capitalismo a partir da Segunda Revolução Industrial. Na segunda metade do
século XIX, países europeus como a Inglaterra, França, Alemanha, Bélgica e
Itália, eram considerados grandes potências industriais, assim como os eram os
Estados Unidos na América. Todos estes países exerceram atitudes imperialistas,
pois estavam interessados em formar grandes impérios econômicos, levando suas
áreas de influência para outros continentes.
3.2. Com
o objetivo de aumentarem a margem de lucro das grandes empresas monopolistas, e
explorar os mercados internacionais estes países se dirigiram à África, Ásia e
Oceania, dominando e explorando estes povos. Não muito diferente do
colonialismo dos séculos XV e XVI, que utilizou como desculpa a divulgação do
cristianismo; o neocolonialismo do século XIX usou o argumento de levar o
progresso da ciência e da tecnologia ao mundo.
3.3. Na
verdade, o que os países imperialistas realmente queriam era o reconhecimento
industrial internacional, e, para isso, foram em busca de locais onde pudessem
encontrar matérias primas e fontes de energia. Os países escolhidos foram
colonizados e seus povos desrespeitados. Um exemplo deste desrespeito foi o
ponto culminante da dominação neocolonialista, quando países europeus dividiram
entre si os territórios africano e asiático, sem sequer levar em conta as
diferenças éticas e culturais destes povos.
3.4. A
Partilha da África e a conferência de Berlim - Entre novembro de 1884 e
fevereiro de 1885 foi realizado o Congresso de Berlim. Neste encontro, os
países europeus imperialistas organizaram e estabeleceram regras para a
exploração da África. Na divisão territorial que fizeram, a cultura e as
diferenças étnicas dos povos africanos não foram respeitadas.
3.5. As
disputas imperialistas - Devido ao fato de possuírem os mesmo interesses, os
colonizadores lutavam entre si para se sobressaírem comercialmente. O governo
dos Estados Unidos, que já colonizava a América Latina, ao perceber a
importância de Cuba no mercado mundial, invadiu o território, que, até então,
era dominado pela Espanha. Após este confronto, as tropas espanholas tiveram
que ceder lugar às tropas norte-americanas. Em 1898, as tropas espanholas foram
novamente vencidas pelas norte-americanas, e, desta vez, a Espanha teve que
ceder as Filipinas aos Estados Unidos.
3.6. A
Partilha da Ásia - Um outro ponto importante a se estudar sobre o
neocolonialismo, é à entrada dos ingleses na China, ocorrida após a derrota dos
chineses durante a Guerra do Ópio (1840-1842). Esta guerra foi iniciada pelos
ingleses após as autoridades chinesas, que já sabiam do mal causado por esta
substância, terem queimado uma embarcação inglesa repleta de ópio. Depois de
ser derrotada pelas tropas britânicas, a China, foi obrigada a assinar o
Tratado de Nanquim, que favorecia os ingleses em todas as clausulas. A
dominação britânica foi marcante por sua crueldade e só teve fim no ano de
1949, ano da revolução comunista na China.
3.7. Como
conclusão, pode-se afirmar que os colonialistas do século XIX, só se
interessavam pelo lucro que eles obtinham através do trabalho que os habitantes
das colônias prestavam para eles. Eles não se importavam com as condições de
trabalho e tampouco se os nativos iriam ou não sobreviver a esta forma de
exploração desumana e capitalista.
3.8. A
Paz Armada - A expansão imperialista gerou rivalidades e disputas que
culminaram com a eclosão da Primeira Grande guerra Mundial de 1914/1918. Assim,
o final do século XIX é marcado por uma intensa corrida armamentista, embalada
pelo nacionalismo radical (xenófobo) e pela expansão das atividades da
indústria bélica, a qual fornecia para as grandes potências uma avançada
tecnologia de destruição (para a época). Foi somente no século XX que as
colônias conseguiram suas independências, porém herdaram dos europeus uma série
de conflitos e países marcados pela exploração, subdesenvolvimento e
dificuldades políticas.
EXERCÍCIOS
Documento
I - Ao exaltar o imperialismo
inglês, Rudyard Kipling escreveu em um de seus poemas: "Aceitai o
fardo do homem branco, Enviai os melhores dos vossos filhos, Condenai vossos
filhos ao exílio, Para que sejam os servidores de seus cativos."
1. Como
esses versos de Kipling justificam o imperialismo inglês?
2. Quais
as áreas mais cobiçadas pelo imperialismo inglês e por quê?
3. Quais
os interesses das nações imperialistas sobre as áreas conquistadas?
Documento
II - “(...) a guerra de 1914-18
foi, de ambos os lados, uma guerra imperialista (isto é, uma guerra de
conquista, de pilhagem, de pirataria), uma guerra pela partilha do mundo, pela
distribuição e redistribuição das colônias, das zonas de influência do capital
financeiro , etc. ...O capitalismo se transformou num sistema universal de
opressão colonial e de asfixia financeira da imensa maioria da população do
globo por um punhado de países avançados. E a partilha deste saque faz-se entre
duas ou três aves de rapina, com importância mundial, armadas até os dentes
(América, Inglaterra, Japão), que arrastam consigo toda a Terra na sua guerra
pela partilha de seu saque". (LENIN, Vladimir I. "O imperialismo:
fase superior do capitalismo". São Paulo, Global, 1985. p.9-11.)
5.
Explique uma das principais características da fase monopolista do capitalismo.
6.
Relacione capitalismo monopolista à Primeira Guerra Mundial.
7.
Assinale com um “X” as Afirmativas verdadeiras Entre o final do século XIX e
início do XX, os países capitalistas desenvolvidos conseguiram dominar
praticamente todo o mundo. Era o imperialismo. Analisando suas motivações e
características, julgue os itens.
I - ( )
As causas da expansão imperialista ligaram-se às transformações de estrutura
capitalista geralmente enquadradas na Segunda Revolução Industrial e marcaram,
o início do capitalismo monopolista e financeiro.
II - ( )
Razões humanitárias e filantrópicas foram usadas para justificar a dominação
imperialista; a Europa assume uma missão "civilizadora" .
III - ( )
A década de 1870 conheceu uma crise econômica que rwesultou num processo de
concentração de capital. A concentração de capital ao mesmo tempo que eliminou
as pequenas empresas tornou necessário a busca por áreas extra-europeias para
investir os capitais excedentes.
8. Ata
Geral da Conferência de Berlim - 26 de fevereiro de 1885 "Capítulo I -
Declaração referente à liberdade de comércio na bacia do Congo... Artigo 6.o -
Todas as Potências que exercem direitos de soberania ou uma influência nos
referidos territórios comprometem-se a velar pela conservação dos aborígines e
melhoria de suas condições morais e materiais de existência e a cooperar na
supressão da escravatura e principalmente no tráfico de negros; elas protegerão
e favorecerão, sem distinção de nacionalidade ou de culto, todas as
instituições e empresas religiosas, críticas ou de caridade, criadas e
organizadas para esses fins ou que tendam a instruir os indígenas e a lhes
fazer compreender e apreciar as vantagens da Civilização." Pela leitura do
texto anterior, podemos deduzir que ele
a)
demonstra que os interesses capitalistas voltados para investimentos
financeiros eram a tônica do tratado.
b)
caracteriza a atração exercida pela abundância de recursos minerais,
notadamente na região, sul-saariana.
c)
demonstra as intenções de natureza religiosa do imperialismo, através da
proteção à ação dos missionários.
d) revela
a própria ideologia do colonialismo europeu ao se referir às "vantagens da
Civilização".
e)
reflete a preocupação das potências capitalistas em manter a escravidão negra.
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